ROTAS TEMÁTICAS

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Fauna

A fauna existente no percurso deste rio é no geral a mesma que nas restantes áreas da Beira e do país (coelho, lebre, perdiz, saca rabos, gato bravo, texugo, gineta, javali, pardal, pintassilgo, melro, corvo, garça, rouxinol, poupa pintassilgo, patos, mergulhões, algumas rapinas e muitas cegonhas brancas).

Durante o trabalho de campo foi avistada uma lontra, dado que se trata de uma espécie protegida um dos percursos foi anulado de modo a proteger a existência de outras naquele troço do rio (pois a lontra mantém a sua acção no mesmo local do rio entre 5 a 10 km).

Relativamente a aves além das citadas podem ocorrer muitas outras especialmente na área que circunscreve a albufeira da Marateca.

Dos peixes observados (bordalo, boga, barbo, carpa, achigã, perca sol), lagostim vermelho e cágado . Na ribeira da Freixial que é afluente do Ocreza não registámos a existência da perca sol. No troço do rio Ocreza em que definimos os percursos não encontramos carpas que no entanto existem na barragem da Marateca.

Flora
Flora e vegetação

A vegetação ribeirinha funciona muitas vezes como corredor ecológico, permitindo a existência de um continuum naturale entre os diversos habitats naturais, bem como a circulação das espécies faunísticas. O mosaico de formações vegetais envolventes ao rio Ocreza inscrevem uma elevada diversidade que resulta da combinação de muitos factores, entre eles, os climáticos, geológicos, pedológicos, topográficos e históricos relacionados com a acção do Homem. Assim, a vegetação que se desenvolve ao longo do rio Ocreza e nas suas encostas adjacentes é característica do andar bioclimático mesomediterrânico inferior sub-húmido superior, ao qual corresponde um determinado bosque climácico, neste caso, um sobreiral ou um carvalhal-negral. No entanto, estes bosques em bom estado de conservação, são escassos.

Os granitos, xistos e grauvaques e quartzitos são os principais substratos litológicos que explicam a diversidade de habitats ripícolas e esclerófilos presentes ao longo do rio Ocreza. As áreas mais declivosas e mais recortadas do ponto de vista orográfico encontram-se em substratos de quartzitos, xistos e grauvaques, principalmente desde o troço médio até à foz. A rede hidrográfica é bastante ramificada, ressaltando a elevada meandrização dos cursos de água, num conjunto de vales, geralmente muito encaixados.

Nas áreas em que o rio Ocreza atravessa o substrato granítico predominam os carvalhais de carvalho-negral (Quercus pyrenaica). É também neste substrato que se desenvolvem as principais galerias de amial e um freixial singular em toda a bacia hidrográfica do rio Ocreza, em que o freixo (Fraxinus angustifolia) forma galeria com o carvalho-negral.

As diferentes formações ripícolas arbóreas e arbustivas que alternam ao longo do rio Ocreza constituem habitats naturais de interesse comunitário, presentes na Directiva 92/43/CE também conhecida por Directiva Habitats.

Os amiais (dominados pelo amieiro, Alnus glutinosa) têm enquadramento no Anexo B-I da referida Directiva, no habitat 91EO Florestas de Alnus glutinosa e pertencem à associação Scropulario scorodoniae-Alnetum gultinosae Br.-Bl, P. Silva & Rozeira 1956. Constituem os bosques ripícolas caducifólios dos cursos de água permanente e não suportam um período de secura estival superior a 2 ou 3 meses, requerendo solos com elevada humidade edáfica. Quando não se reúnem as condições ecológicas necessárias ao desenvolvimento dos amiais, as margens do rio Ocreza dão lugar a outras formações ripícolas menos exigentes em humidade como freixiais e salgueirais.

Por sua vez, os freixiais da associação meso e termomediterrânica Ficario ranunculoidis-Fraxinetum angustifoliae Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & Valdés Bermejo 1980, constituem uma das formações ripícolas mais comuns ao longo do rio Ocreza. Incluem-se no habitat 91B0 Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia, têm preferência por solos siliciosos e adaptam-se a um curto período de secura estival.

No troço norte do rio Ocreza, em substrato granítico desenvolve-se um freixial com características bastante peculiares, tendo em conta o conjunto das comunidades ripícolas do rio Ocreza. É um freixial que constitui um bosque misto de carvalho-negral e freixo e que se desenvolve em solos profundos com elevada humidade edáfica. Estes bosques mistos de carvalho-negral e freixo são climácicos no andar supramediterrânico, contudo podem atingir o andar mesomediterrânico em condições edafohigrófilas. Pertence à associação Fraxino angustifoliae-Quercetum pyrenaicae Rivas-Martínez 1964 corr. & em. Rivas-Martínez, Fernández-González & A. Molina, distribuindo-se de forma muito residual no vale do rio Ocreza.

As comunidades ripícolas contactam frequentemente com a vegetação das vertentes que, nos granitos, se caracteriza principalmente pelos carvalhais de Quercus pyrenaica e os seus matos subseriais (giestais e urzais).

Os carvalhais de Quercus pyrenaica incluem-se no habitat 9230 Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica. Estes carvalhais pertencem à associação Arbuto unedonis-Quercetum pyrenaicae Rivas-Martínez, 1987 e são exigentes em humidade, requerendo geralmente uma precipitação superior a 1000 mm/ano.

É possível observar que os carvalhais de Quercus pyrenaica estão confinados às vertentes declivosas e às áreas de afloramentos rochosos graníticos em que é difícil a ocupação agrícola e/ou florestal. Alternam frequentemente em mosaico com giestais em que abundam endemismos Ibéricos com o Cytisus multiflorus e Cytisus striatus.

As orlas destes carvalhais têm especial interesse não só pela sua beleza singular, diversidade floristica, mas também porque nelas se desenvolvem algumas espécies endémicas Ibéricas e com estatuto de protecção. Algumas dessas espécies, de floração primaveril, são o Ornitogalum pyrenaicum, o Asphodelus aestivus, o Asphodelus albus, a Urginia maritima, o Hyacinthoides hispanica (jacinto-dos-campos), a Scilla monophyllos, o Arum italicum (jarro, a Iris lusitanica (o lírio-amarelo tem estatuto de vulnerável e está incluído no Anexo B-V), o Narcissus triandrus subsp. pallidus (este narciso é endemismo Ibérico e está incluído no Anexo B-IV) e o Ruscus aculeatus (a gilbardeira tem estatuto vulnerável e está incluída no Anexo B-V). É de salientar que as espécies incluídas no Anexo B-IV da Directiva 92/43/CE, são espécies de interesse comunitário que exigem uma protecção rigorosa e as que estão incluídas no Anexo B-V são espécies de interesse comunitário cuja colheita pode ser objecto de medidas de gestão.